Viajo segunda-feira feira de santana.
Quem quiser mandar recado,
Remeter pacote
Uma carta cativante
Á rua numerada,
O nome maiusculoso
Pra evitar engano
Ou então que o destino
Se destrave longe.
Meticuloso, meu prazer não tem medida
Teje aqui segunda-feira antes da partida
Viajo segunda-feira feira de santana
Trace aqui seu endereço
Sem deixar tropeço
Pode seu destinatário
Ter morrido ou simulado,
Pousado ou avoado
Nas sentenças do seu fado...
Eu vou ficar avexado
Com uma carta sem dono
Le-levando a cuja,
Penando sem ter pousada
Batendo de porta em porta
Como uma alma penada.
Viajo segunda-feira
Feira de santana...
Mas se eu trouxer de volta
O desencontro choroso
Da missão desincumprida
Devolvo seu envelope
Intacto, certo e fechado
Odeio disse-me-disse,
Condeno a bisbilhotice.
Viajo segunda-feira
Feira de santana...
Se se der o sucedido
Me aguarde aqui no piso,
Sete semanas seguidas
A partir do mês em frente
Não sou letra reticente
Palavra de homem racha
Mas não volta diferente.
domingo, 2 de agosto de 2009
O RESTO É SILÊNCIO
"Essa noite eu sou um homem sem garantia de que amanhã eu terei casa porque eu não paguei o aluguel. Quanto à minha alma, ela sobrevive à essa ameaça tomada pela mais sublime graça em habitar os sonetos de Shakespeare."
(Último cap. de Som & Fúria.)
"O fim do homem é sempre mais marcado que o seu início. O pôr-do-sol, a música de encerramento, assim como a última mordida no doce é sempre mais doce no final. O que é escrito na lembrança vale mais do que o que ficou perdido no passado"
(Último cap. de Som & Fúria.)
Antes, a frase final do Paulo Betti na série:
"O fim do homem é sempre mais marcado que o seu início. O pôr-do-sol, a música de encerramento, assim como a última mordida no doce é sempre mais doce no final. O que é escrito na lembrança vale mais do que o que ficou perdido no passado"
From Elsinore to Inverness
De Hamlet a MacBeth, tragédias do cotidiano, comédias nada privadas, e o que mais me aparecer, numa escrita dell'arte.
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